O raciocínio que circula é direto: se a alíquota tende a subir e a progressividade virou obrigatória, então antecipar a transmissão agora, sob as regras atuais, sairia mais barato. Em muitos casos, esse raciocínio está correto. O problema é usá-lo como conclusão em vez de como hipótese.
Primeiro porque alíquota é lei estadual, e cada Estado implementa a progressividade no seu tempo e na sua tabela. A conta que faz sentido em um Estado pode não fazer em outro, e a família precisa saber qual legislação se aplica ao seu caso antes de decidir qualquer coisa.
Segundo porque antecipar transmissão tem custo próprio e imediato. Doar em vida faz incidir ITCMD agora, com desembolso agora. Transferir imóvel para uma pessoa jurídica pode envolver discussão sobre ITBI e sobre ganho de capital. A economia futura precisa ser comparada com o desembolso presente e com o custo de oportunidade desse dinheiro, e essa comparação raramente é feita.
Terceiro porque decisão tomada sob pressa tende a ser mal executada. Vejo estruturas montadas às pressas, com contrato social genérico, sem acordo de sócios, sem definição de governança, que economizaram imposto e criaram um conflito familiar que custará muito mais do que o imposto economizado.